terça-feira, 16 de setembro de 2014

eu não me sinto bem comigo agora, então estou tomando uma medida drástica: estou escrevendo. está silencioso aqui, do jeito que eu gosto tanto, do jeito que eu raramente tenho a oportunidade de presenciar. eu deveria estar feliz, mas eu não estou. tentei colocar uma música, mas não combinou. as outras também não. eu ouço ao longe o tranquilizador som de uns carros passando rapidamente pela pista. imagino as suas rodas correndo no chão. ah, tem o cachorro da vizinha também. não sei o que acontece por lá que ele decide latir às vezes. outro som que me tranquiliza. alguns carros passam devagar. como é que eles decidem a velocidade? é, são vidas diferentes, mas pra mim são só uma pessoa chamada carros passando de madrugada. ok, eu poderia investir na minha imaginação e me distrair criando vidas para os carros passando, imaginando pra onde eles vão, o que estão fazendo, quantos motoristas estão recebendo um boquete... mas isso seria contar carneirinhos demais. é, talvez essa escrita aqui toda seja uma contagem de carneirinhos. agora há dois cachorros conversando, mas eles estão tão, tão longe um do outro que não sei como perdem tempo com isso. talvez eles se sintam como eu. é, acho que se eu pudesse ser um cachorro eu procuraria outro que nunca vi para ficar latindo daqui pra ele latir pra cá. seríamos os únicos responsáveis por berros que atravessariam as ruas. é, seria bom. há tantas pessoas em suas casas, todas inexistentes por seus silêncios. só existem agora os carros tranquilizantes que passam e os dois cachorros. eu não tenho certeza se existo nesse cenário, mas estou escrevendo.  a mel está roncando. outro som tranquilizante. quero saber como faço pra sair. a madrugada é outro mundo, por isso gosto tanto. eu não quero dormir e abandonar.
cansei de escrever.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Não me desespero mais: escrevo. Toda a aflição vai evanescendo entre as linhas até sumir no ponto final. O ponto final, então, marca o início da minha alegria, dos meus novos planos. Não posso e não devo ignorar o sofrimento. A dor eu transformo em criação. E assim eu me faço uma pessoa criativa. Uma pessoa dor-ativa. Quando não escrevo é por conta do ódio de mim haver vencido o amor. Quando eu, por distração, me entrego as palavras não me chamam mais, a mente quer ficar vazia - está arranjando espaço para a doença dançar, coreografando o meu limbo, ensaiando a minha destruição. Agora eu devo estar forte, pois estou aqui. Fraca você nem me leria.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012


Viver a partir do passado parece óbvio, mas não é o que queremos. Queremos ser livres, queremos escolher nossos pontos de partida, queremos escolher nossas direções. Ter um passado nos impede disso. Vamos sempre começar do fim do que fomos.
Tenho 20 anos e acredito ter poder sobre o meu futuro, mas não tanto quanto eu acreditava ter aos 10. Deixamos de acreditar no futuro por estarmos nos construindo ou nos decepcionando a cada minuto? Veja, se com o tempo eu me estruturo usando todas as coisas que eu aprendi, estou me solidificando em mim. Tive 19 anos até chegar aos 20. Sou 20 anos de Giovanna. Eu sou a de 4 anos mais 16, a de 5 mais 15, a de 15 mais 5... Eu serei sempre a mesma mais um número. Um passado mais um presente. Somos consequências e lembranças. Estas formam uma trilha por onde nos orientamos, e seguimos por também lembrar que tínhamos um destino. Não há nada no futuro. Lá não existimos. Lá nem existe. Nascemos com um coração que é antes tido e depois mantido. Não se terá um coração. Já temos - do passado ao agora. O depois não é nada além do agora. Agora e agora e agora.
Mas se eu me orientar pela trilha e seguir por ter um destino, eu não sou nada além da potência do que já fui. Se eu sou um passado, se tudo o que há é passado, então o passado é também feito de passado. O passado é o princípio que concebe o futuro, futuro que se torna passado assim que tocado. O princípio é o agora, e o agora é o lugar em que o passado descansa. O passado é o início.





Como uma árvore:  embaixo, velhos e firmes, tronco e raízes; em cima,  jovens e livres, galhos e folhas brincando no ar. Ainda assim, todos servem às raízes. Galhos e folhas caem; a árvore cresce.


segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Eu estou sempre dialogando com o caderno/comigo. Não se sinta intimidado, não era para você. Mas se quiser pode pegar.

14/11/2009

Já se sabe que me ver é uma agonia. Você é bem idiota por precisar de uma explicação sobre o que digo! 
Ver: quando falo, escrevo, entro, etc eu me vejo porque existo, me
enxergo. Mas principalmente quando falo ou escrevo (e se você entendeu sabe que foi um pleonasmo) porque fica tudo mais evidente.

Você já deve ter pensado naquela questão sobre a realidade: “existe algo quando ninguém vê? Bla bla bla... e a árvore cai na floresta bla bla bla”... Tenho que continuar?

Me impressiona, e agora irrita, perceber que as palavras, quando não explicadas, podem ser qualquer coisa e até nada. Eu digo tanto, tanto em pouco e isso não vira nada, não é captado. É frustrante. Eu levaria muitas, muitas palavras e não conseguiria, já que estou sempre pensando duas coisas ao mesmo tempo, duas perspectivas de um mesmo fato. Se eu der atenção fico louca. É muito difícil. (Eu peço que me leia duas vezes. Não quero ser mal compreendida. E sabe que eu preciso me ler várias vezes para entender? E mesmo assim muito foi perdido das minhas palavras.)

Veja o quanto eu gastei enquanto poderia ter prosseguido ao que pretendia dizer logo após a primeira frase! Nem lembro mais.

Eu gosto do nome _____
(aqui eu digo o meu nome), mas acho que facilitaria a minha
expressão adotando um outro. Já não me sinto a mesma quando escrevo. É justo ter uma
identificação diferente. Só que todos os nomes já foram usados. É inevitável que me associe a outra coisa. (Aqui eu poderia dizer que somos repetidos e por isso é difícil ser original, embora muita gente tente se enganar. Claro também que não me levo tão a sério. Eu sinto esse pessimismo todo e vou dizer que é uma verdade universal, mas provavelmente outras pessoas se sentem únicas e alegres por aí. Devem estar levando uma vida melhor, quem sabe. Mas não consigo acreditar de verdade nessa possibilidade mais feliz. O que quero dizer é que estou sempre consciente dos dois lados, mas não estou afim de pirar falando sobre os dois.)

28/09/2009

É difícil escrever sabendo que sou eu, que as minhas mãos encostam, que as palavras passam por mim antes. Não queria ser outra pessoa. Quem eu poderia ser? Não sei se queria ser melhor, pois enfeitaria essa tela que sou eu. Comigo eu não quero mesmo nada. Não queria morrer porque seria a minha morte. Não queria ter alguém porque seria meu. Não queria falar, não queria que olhassem para mim. Só quero me permitir escrever esquecendo que sou
eu.


- um tempo depois, talvez horas, dias ou meses, no verso da folha que acabei de transcrever:

Sobre todas essas páginas (digo, sobre as diversas páginas escritas que não publiquei):
Eu escrevi o que sentia. É tão simplório, quase repugnante. Só serve para capturar qualquer coisa aqui dentro ou aqui fora no momento. Ler é triste. Às vezes me reconheço, mas na maioria me parece estranho e escuro.
Eu disse não desejar ser de outro modo, mas meu jeito é tão decepcionante. Principalmente o que escrevo. Todo esse nada, essa falta, essa preguiça... Escrever é o que me resta pois sou medíocre. Não tenho o que fazer agora, ontem, amanhã.