segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Eu estou sempre dialogando com o caderno/comigo. Não se sinta intimidado, não era para você. Mas se quiser pode pegar.

14/11/2009

Já se sabe que me ver é uma agonia. Você é bem idiota por precisar de uma explicação sobre o que digo! 
Ver: quando falo, escrevo, entro, etc eu me vejo porque existo, me
enxergo. Mas principalmente quando falo ou escrevo (e se você entendeu sabe que foi um pleonasmo) porque fica tudo mais evidente.

Você já deve ter pensado naquela questão sobre a realidade: “existe algo quando ninguém vê? Bla bla bla... e a árvore cai na floresta bla bla bla”... Tenho que continuar?

Me impressiona, e agora irrita, perceber que as palavras, quando não explicadas, podem ser qualquer coisa e até nada. Eu digo tanto, tanto em pouco e isso não vira nada, não é captado. É frustrante. Eu levaria muitas, muitas palavras e não conseguiria, já que estou sempre pensando duas coisas ao mesmo tempo, duas perspectivas de um mesmo fato. Se eu der atenção fico louca. É muito difícil. (Eu peço que me leia duas vezes. Não quero ser mal compreendida. E sabe que eu preciso me ler várias vezes para entender? E mesmo assim muito foi perdido das minhas palavras.)

Veja o quanto eu gastei enquanto poderia ter prosseguido ao que pretendia dizer logo após a primeira frase! Nem lembro mais.

Eu gosto do nome _____
(aqui eu digo o meu nome), mas acho que facilitaria a minha
expressão adotando um outro. Já não me sinto a mesma quando escrevo. É justo ter uma
identificação diferente. Só que todos os nomes já foram usados. É inevitável que me associe a outra coisa. (Aqui eu poderia dizer que somos repetidos e por isso é difícil ser original, embora muita gente tente se enganar. Claro também que não me levo tão a sério. Eu sinto esse pessimismo todo e vou dizer que é uma verdade universal, mas provavelmente outras pessoas se sentem únicas e alegres por aí. Devem estar levando uma vida melhor, quem sabe. Mas não consigo acreditar de verdade nessa possibilidade mais feliz. O que quero dizer é que estou sempre consciente dos dois lados, mas não estou afim de pirar falando sobre os dois.)

28/09/2009

É difícil escrever sabendo que sou eu, que as minhas mãos encostam, que as palavras passam por mim antes. Não queria ser outra pessoa. Quem eu poderia ser? Não sei se queria ser melhor, pois enfeitaria essa tela que sou eu. Comigo eu não quero mesmo nada. Não queria morrer porque seria a minha morte. Não queria ter alguém porque seria meu. Não queria falar, não queria que olhassem para mim. Só quero me permitir escrever esquecendo que sou
eu.


- um tempo depois, talvez horas, dias ou meses, no verso da folha que acabei de transcrever:

Sobre todas essas páginas (digo, sobre as diversas páginas escritas que não publiquei):
Eu escrevi o que sentia. É tão simplório, quase repugnante. Só serve para capturar qualquer coisa aqui dentro ou aqui fora no momento. Ler é triste. Às vezes me reconheço, mas na maioria me parece estranho e escuro.
Eu disse não desejar ser de outro modo, mas meu jeito é tão decepcionante. Principalmente o que escrevo. Todo esse nada, essa falta, essa preguiça... Escrever é o que me resta pois sou medíocre. Não tenho o que fazer agora, ontem, amanhã.