segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

28/09/2009

É difícil escrever sabendo que sou eu, que as minhas mãos encostam, que as palavras passam por mim antes. Não queria ser outra pessoa. Quem eu poderia ser? Não sei se queria ser melhor, pois enfeitaria essa tela que sou eu. Comigo eu não quero mesmo nada. Não queria morrer porque seria a minha morte. Não queria ter alguém porque seria meu. Não queria falar, não queria que olhassem para mim. Só quero me permitir escrever esquecendo que sou
eu.


- um tempo depois, talvez horas, dias ou meses, no verso da folha que acabei de transcrever:

Sobre todas essas páginas (digo, sobre as diversas páginas escritas que não publiquei):
Eu escrevi o que sentia. É tão simplório, quase repugnante. Só serve para capturar qualquer coisa aqui dentro ou aqui fora no momento. Ler é triste. Às vezes me reconheço, mas na maioria me parece estranho e escuro.
Eu disse não desejar ser de outro modo, mas meu jeito é tão decepcionante. Principalmente o que escrevo. Todo esse nada, essa falta, essa preguiça... Escrever é o que me resta pois sou medíocre. Não tenho o que fazer agora, ontem, amanhã.


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