domingo, 23 de janeiro de 2011

Não mudamos. Todos guardam  o que foram quando crianças e usam até a morte. É um susto ver esses rostos tão jovens e tão bobos estampados em crescidos. Diante de fotos antigas as pessoas sempre, sempre se surpreendem e dizem algo como "Nossa, mas não mudou nada!" ou "Igualzinho ao avô!", como e estivesem testemunhando um caso raro. Perceba como nos negamos a admitir que nos tratamos de repetições. É doloroso aceitar mas penso que somos iguais entre si e entre o tempo, com as mesmas expressões e sentimentos.

Então este é o famoso "ser humano". É o máximo que conhecemos e o que buscamos há milênios. Adultos de crianças bobas. Você consegue me dizer algo superior a nós? Não responda "deus", vai. Até porque, pelo o que dizem, somos uma cópia dele, então não vale. Esta é a perfeição. Eu me indigno, mas não me provam nada melhor.

A todo segundo alguém sente a divindade, é tomado pela euforia e os olhos brilham, brilham e lamentam por supor a grandiosidade do mundo e tudo o que não haverá tempo de ver. Isso nos satisfaz, nos deixa orgulhosos como a mãe de um filho mal educado e bêbado que lhe faz uma gentileza. Curamos o sofrimento e as dúvidas latentes sobre a  nossa existência . Temos um significado! Não sabemos qual, mas deve ser algo que valha tamanho mistério, supomos.

Perceba: "A todo segundo alguém sente (...)". São muitas horas, são muitas pessoas. Todas sentindo o mesmo. Filmes que vendem milhões; não foi só você que saiu da sessão gritando "foda, foda, foda" aos quatro ventos. Milhões. Você pode usar de prova para a teoria de que estamos conectados nesse maravilhoso universo. Eu digo que apenas surgimos da preguiça e falta de criatividade. Olhe para o seu vizinho desgraçado que te acorda com uma música escrota no mais alto volume. Ele é um milagre de deus, allah, buda, whateverthefuck e um dos integrantes desse grupo VIP chamado humanidade, do qual você também faz parte! Lindo, né?

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